
O Governo do Amazonas decretou emergência em saúde pública por 180 dias devido aos impactos da estiagem severa. A medida, publicada no Diário Oficial na segunda-feira (26), considera o isolamento de comunidades, as dificuldades de transporte de materiais médicos e os riscos ao atendimento da população.
Segundo um levantamento preliminar da Defesa Civil estadual, a seca dos rios já deixou 562 comunidades isoladas. Com isso, os moradores enfrentam dificuldades para acessar os serviços de saúde. Além disso, o transporte de pacientes e o abastecimento de medicamentos e oxigênio medicinal também podem ser prejudicados.
O decreto ainda aponta acidentes fluviais nos municípios de Itamarati, Eirunepé e Borba. Conforme o documento, as ocorrências provocaram perdas ou comprometeram cargas de medicamentos, insumos, produtos para saúde e cilindros de oxigênio. No entanto, o texto não informa as datas dos acidentes nem a quantidade de materiais afetados.
Governo prevê medidas para garantir atendimento
Para organizar a resposta à estiagem, o governo estadual identificou 19 processos administrativos relacionados a pedidos de medicamentos, insumos, equipamentos, oxigênio medicinal e apoio logístico feitos pelos municípios.
Diante desse cenário, o decreto estabelece medidas para manter ou restabelecer o fornecimento de materiais às unidades de saúde afetadas. Além disso, prevê alternativas de transporte e distribuição para atender às comunidades com dificuldades de acesso.
Outra prioridade é garantir a continuidade dos atendimentos básicos e especializados, bem como dos serviços de urgência e emergência. O governo também deverá reforçar a vigilância em saúde para acompanhar os efeitos das queimadas e da piora na qualidade do ar.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) ficará responsável por coordenar as ações. Para isso, deverá trabalhar em conjunto com a Defesa Civil, as prefeituras, outros órgãos estaduais e o governo federal.
A secretaria também reunirá informações sobre as localidades atingidas, as perdas de materiais, possíveis interrupções nos atendimentos e os estoques disponíveis. Dessa forma, os dados poderão embasar pedidos de apoio técnico e financeiro à União.
O decreto ressalta, porém, que a inclusão de municípios nos planos de resposta e a solicitação de recursos dependem da comprovação dos danos e das necessidades de atendimento. Portanto, a existência de um pedido administrativo não significa, por si só, que a população esteja sem assistência.
Fumaça e queimadas também preocupam autoridades
Além dos efeitos da seca, o governo considera os impactos das queimadas e da fumaça sobre a saúde dos moradores. Em outubro, Manaus e municípios do interior registraram episódios de fumaça que encobriram áreas urbanas e prejudicaram a qualidade do ar.
Por isso, o decreto prevê ações de vigilância e assistência para acompanhar possíveis consequências da exposição à fumaça. Ao mesmo tempo, o documento esclarece que a presença de fumaça ou a alteração da qualidade do ar não caracteriza, isoladamente, uma situação de desassistência.
As medidas emergenciais deverão priorizar localidades e unidades de saúde que apresentem registros de danos, perdas de materiais, dificuldades de acesso ou interrupções nos serviços.
A emergência terá duração de 180 dias, contados a partir da publicação do decreto. Além disso, o documento revoga o Decreto nº 55.767, de 13 de outubro de 2026.
Estiagem afeta 46 municípios do Amazonas
De acordo com um boletim divulgado pelo governo estadual na terça-feira (27), 46 municípios estão em situação de emergência por causa da estiagem. Outros 12 permanecem em alerta e quatro estão em situação de atenção. Ao todo, 124.887 famílias foram afetadas pela seca dos rios.
O levantamento também apontou qualidade do ar péssima em Parintins na manhã de terça-feira. Em Manaus, por outro lado, os aeroportos registraram visibilidade de pelo menos oito quilômetros e ausência de fumaça naquele momento.
Enquanto isso, o nível do Rio Negro continuou baixando na capital. Segundo o monitoramento do Porto de Manaus, o rio recuou mais quatro centímetros entre terça-feira (27) e quarta-feira (28), chegando a 16,55 metros.
Operação Estiagem distribui alimentos e equipamentos
Para reduzir os impactos da seca, o governo estadual enviou mais de 13 toneladas de alimentos para Anamã e Rio Preto da Eva na terça-feira (27). Juntos, os municípios receberam 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água com capacidade para 500 litros.
Com essa entrega, a primeira fase da Operação Estiagem 2026 passou a atender 15 municípios. Até então, a iniciativa havia distribuído 4.800 cestas básicas, 3.400 kits de limpeza e 3.060 caixas-d’água de 500 litros, além de outros equipamentos destinados ao armazenamento e à purificação de água.
Bombeiros combatem incêndios no estado
Paralelamente às ações contra os efeitos da estiagem, cerca de 1.500 bombeiros militares e brigadistas atuam na prevenção e no combate às queimadas no Amazonas. As equipes contam com o apoio de 18 aeronaves e realizam operações de combate a incêndios, fiscalização ambiental e monitoramento de focos de calor por satélite.
Entre 1º de junho e 26 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) registrou 3.889 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, as equipes atuaram no combate a 24.272 focos de incêndio.
Desse total, 4.732 focos ocorreram em Manaus, enquanto 19.540 foram registrados no interior do estado.







