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Possível seca severa coloca economia do Amazonas em alerta e pode impactar a Zona Franca de Manaus

 

A possibilidade de uma estiagem intensa no Amazonas a partir do segundo semestre de 2026 acendeu o alerta entre autoridades e o setor produtivo. Projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Defesa Civil do Amazonas apontam risco elevado de uma nova seca severa, cenário que pode comprometer a navegação nos rios e afetar diretamente a economia do estado.

A preocupação se deve à forte dependência do transporte fluvial na região. Cerca de 95% dos insumos utilizados pelas indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) e dos produtos fabricados na Zona Franca são transportados pelos rios, o que torna a logística vulnerável à redução do nível das águas.

Entre os setores que podem sofrer os maiores impactos estão as indústrias de ar-condicionado, motocicletas, televisores, eletrônicos e empresas que dependem da importação de componentes por via fluvial. Diante do risco, muitas empresas já começaram a reforçar estoques e antecipar compras para evitar interrupções na produção.

O setor industrial também teme o aumento dos custos logísticos. Durante a seca histórica de 2023, os gastos extras da Zona Franca de Manaus foram estimados em R$ 1,4 bilhão, impulsionados pelo aumento do frete, operações de transbordo, armazenagem e consumo de combustível.

Caso os rios atinjam níveis críticos novamente, embarcações poderão reduzir a quantidade de carga transportada ou realizar transbordos em portos intermediários, o que aumenta o tempo de entrega e os custos das operações.

A possibilidade de uma nova estiagem também reacendeu o debate sobre a recuperação da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO). Representantes do setor industrial defendem que a estrada seria uma alternativa para reduzir a dependência do transporte fluvial, embora a obra ainda enfrente questões relacionadas ao licenciamento ambiental.

Apesar do cenário de atenção, especialistas ressaltam que a seca ainda não está confirmada. A intensidade da estiagem dependerá da evolução das condições climáticas e do comportamento do fenômeno El Niño nos próximos meses. Enquanto isso, o Governo do Amazonas informou que segue monitorando a situação, com medidas como acompanhamento dos níveis dos rios, planejamento de dragagem em trechos críticos e preparação de ações emergenciais para atender municípios que possam ser afetados.