
Manaus (AM) – Fernando Batista de Melo, de 48 anos, continua sendo procurado pelas forças de segurança do Amazonas, suspeito de matar o próprio filho, Manoel, de apenas 3 anos, na noite de quinta-feira (22), em Manaus. Novas informações foram divulgadas nesta sexta-feira (23) e o laudo pericial confirmou que a causa da morte da criança foi asfixia mecânica.
De acordo com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Manoel não apresentava sinais de golpes de faca, nem lesões perfurocortantes ou indícios de ação contundente no corpo. A informação foi confirmada pelo delegado-geral da PC-AM, Guilherme Torres.
O crime ocorreu na residência do avô paterno da criança, localizada na rua São Marçal, no bairro Cidade de Deus, zona norte da capital. Por meio das redes sociais, a mãe de Manoel informou que o corpo do filho será levado para o município de Beruri, a cerca de 173 quilômetros de Manaus, onde ocorrerá o sepultamento.
Inicialmente, havia a suspeita de que a criança tivesse sido morta com golpes de faca, em razão de um vídeo que circulou nas redes sociais mostrando Fernando ameaçando a mãe do menino com uma faca, por volta das 15h do mesmo dia do crime. No entanto, a perícia descartou essa possibilidade.
Apesar da presença de grande quantidade de sangue na cena do crime, a polícia informou que ainda não é possível afirmar a quem o material pertencia. Amostras foram coletadas e encaminhadas para exames de comparação genética.
Relação familiar e motivação do crime
As investigações apontam que a motivação do crime estaria relacionada a uma possível vingança contra a mãe da criança, em meio a conflitos após o fim do relacionamento e cobranças de pensão alimentícia.
Segundo o delegado Adanor Porto, Fernando era casado com a mãe de Manoel desde 2021. O relacionamento terminou no Natal de 2025, e o suspeito não aceitava o fim da união. No dia 1º de janeiro, ele teria deixado a residência, abandonando a ex-companheira com dois filhos, sem prestar apoio financeiro.
Diante da situação, a mãe procurou o pai de Fernando, Emanuel, pedindo que ele intermediasse uma conversa sobre o pagamento da pensão. Na quinta-feira (22), por volta das 15h, Fernando foi até a casa onde a ex-companheira morava com os filhos.
Durante a conversa, a mulher afirmou que não queria bens materiais, apenas o pagamento da pensão alimentícia. Caso contrário, buscaria seus direitos na Justiça. Conforme a polícia, Fernando se exaltou, foi até a cozinha, pegou uma faca e passou a ameaçá-la. O momento foi registrado em vídeo e repercutiu nas redes sociais. No local, também estava o outro filho do casal, um bebê de 10 meses.
Crime ocorreu em outro endereço
A morte de Manoel ocorreu horas depois, em outro endereço. A criança estava na casa do avô paterno, onde costumava passar todas as quintas-feiras. Por volta das 18h, Fernando chegou ao local e levou o menino para o banheiro, alegando que iria dar banho.
Após um longo período sem resposta, o avô desconfiou e começou a bater na porta. Cerca de 30 minutos depois, Fernando abriu o banheiro, e o avô encontrou a criança já sem vida.
Em seguida, o suspeito teria trancado o próprio pai dentro da casa e fugido em uma motocicleta.
Buscas e investigação
A motocicleta utilizada na fuga foi localizada abandonada no Parque Mosaico, na zona centro-oeste de Manaus. Equipes da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), da Polícia Civil e da Polícia Militar do Amazonas estiveram no local. As informações seguem sendo compartilhadas entre todas as forças de segurança.
Um helicóptero da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) também foi utilizado nas buscas. O policiamento foi reforçado, e a polícia solicita o apoio da população com informações que possam levar ao paradeiro de Fernando Batista de Melo, que estaria em fuga a pé.
A PC-AM informou ainda que o suspeito é natural do Rio de Janeiro, reside há mais de 20 anos em Manaus, possui familiares no município de Manacapuru e responde a um processo por violência doméstica contra outra mulher, referente ao período em que viveu por cerca de dez anos naquela cidade.
Informações podem ser repassadas de forma anônima por meio dos canais oficiais de denúncia.







