
Um dos pilares do projeto arquitetônico da primeira “Rua Gastronômica”, em plena execução pela Prefeitura de Manaus, na rua Ferreira Pena, no Centro, é a preservação integral dos oitizeiros existentes na via. As soluções de engenharia, arquitetura, paisagismo e infraestrutura estão sendo adaptadas à arborização, conforme prevê nota técnica conjunta elaborada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).
Valor ambiental e histórico das árvores
O documento reconhece o conjunto de árvores como elemento de valor ambiental, paisagístico, histórico, cultural e social. Além disso, destaca sua contribuição para o conforto térmico, a qualidade ambiental e a valorização do espaço público.
Para o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, preservar as árvores significa reconhecer que a requalificação parte de uma paisagem que já pertence à cidade e será valorizada com a nova configuração da rua. “A Ferreira Pena já tem uma identidade construída ao longo de muitos anos. Esses oitizeiros fazem parte dessa história e dessa paisagem”, afirmou.
Benefícios da arborização madura
A orientação técnica considera que a arborização madura oferece benefícios insubstituíveis. As copas existentes proporcionam sombra, ajudam na redução do calor, contribuem para a retenção de água da chuva, filtram partículas do ar e oferecem abrigo à biodiversidade urbana.
Em Manaus, a presença de árvores adultas representa conforto para quem utiliza o espaço público. Na Ferreira Pena, esse benefício soma-se ao valor paisagístico de uma rua histórica, preparada para receber novos usos ligados à gastronomia, ao turismo, à cultura e à convivência.
Natureza, história e cidade conectadas
A paisagem da rua reúne natureza e arquitetura, incluindo casarios e fachadas históricas. As árvores acompanham o cotidiano do Centro, criando um corredor verde que conecta o patrimônio histórico ao dia a dia da cidade.
O engenheiro florestal Jurimar Collares Ipiranga, diretor de Licenciamento e Monitoramento (Delic) da Semmas, explica que os oitizeiros da Ferreira Pena são parte integrante do patrimônio da arborização urbana de Manaus.
“Seu valor está associado aos atributos ambientais, paisagísticos, históricos, culturais, sociais, turísticos e climáticos, além da própria estruturação do espaço urbano”, detalhou.
Obra adaptada às árvores
A preservação dos oitizeiros será considerada em todas as etapas da intervenção. Isso inclui pavimentação, calçadas, drenagem, acessibilidade, infraestrutura subterrânea, iluminação, mobiliário urbano e sinalização.
Medidas como a proteção das raízes, o cuidado com troncos e copas, a redução de impactos de escavações e o planejamento de redes de infraestrutura compatíveis com o sistema radicular das árvores estão previstas.
O acompanhamento das condições fitossanitárias e estruturais dos indivíduos garantirá manejo especializado, incluindo podas quando necessárias. A lógica é clara: a obra se adapta à arborização existente.
Uma rua para permanecer
A nova Ferreira Pena visa qualificar o espaço público e ampliar suas possibilidades de uso. Os oitizeiros se tornam elementos estruturadores do projeto, favorecendo a permanência de moradores, trabalhadores e visitantes.
A sombra das copas torna o percurso mais agradável e promove uma relação mais próxima entre o patrimônio histórico e os novos usos da via. A requalificação celebra a paisagem existente, mantendo vivas as árvores que testemunharam a história do centro de Manaus.
Com informações da Prefeitura de Manaus







