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Inteligência artificial identifica indícios de superfaturamento de R$ 12,5 milhões em contrato da BR-319, no Amazonas

A aplicação de tecnologia no controle de gastos públicos ganhou destaque após um sistema de inteligência artificial apontar indícios de irregularidades em um contrato de manutenção da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O caso envolveu possíveis inconsistências que podem ter evitado um prejuízo estimado em cerca de R$ 12,5 milhões aos cofres públicos.

O alerta foi emitido pela ferramenta “Alice”, sistema desenvolvido pela Controladoria-Geral da União (CGU), que atua na análise automatizada de licitações, editais e contratos públicos em todo o país. O objetivo da tecnologia é identificar padrões fora da média de mercado, sobrepreços e outras inconsistências que possam indicar risco de fraude ou má gestão de recursos.

De acordo com informações divulgadas sobre o sistema, a ferramenta já emitiu dezenas de milhares de alertas em um período de dois anos, auxiliando equipes de auditoria e fiscalização na triagem de contratos com maior risco de irregularidades. No caso da BR-319, o sistema identificou valores considerados acima do padrão para serviços de manutenção rodoviária, o que levou à abertura de análise técnica mais aprofundada.

Contrato sob análise e possível economia milionária

A análise automatizada apontou discrepâncias nos custos previstos no contrato, especialmente em itens de serviços de manutenção, que apresentavam variações significativas em relação a referências de mercado e contratos semelhantes já executados em outras regiões.

A partir do alerta gerado pela inteligência artificial, equipes técnicas responsáveis pelo controle e auditoria passaram a revisar os valores apresentados, resultando na identificação de possíveis excessos orçamentários. Segundo os dados preliminares, a revisão poderia representar uma economia de aproximadamente R$ 12,5 milhões, caso as inconsistências fossem mantidas nos valores iniciais.

Tecnologia como ferramenta de transparência

O uso de inteligência artificial na fiscalização de recursos públicos tem sido tratado como uma das principais inovações na área de controle governamental. Sistemas como a “Alice” são alimentados com grandes bases de dados de contratos anteriores, preços de referência e informações de licitações em diferentes esferas da administração pública.

A partir dessas informações, o sistema consegue identificar automaticamente padrões suspeitos e emitir alertas para análise humana. A decisão final, no entanto, permanece sob responsabilidade dos órgãos de controle, que validam ou descartam as inconsistências apontadas.

Impacto na gestão pública

Em um cenário de restrição orçamentária e crescente cobrança por eficiência, o uso de inteligência artificial é visto como um avanço na prevenção de desperdícios. A atuação preventiva, antes da execução total dos contratos, é apontada como um dos principais ganhos da tecnologia.

No caso da BR-319, uma das rodovias mais estratégicas da região Norte, a análise automatizada reforça a importância do monitoramento contínuo de grandes obras de infraestrutura, que envolvem altos volumes de recursos públicos e desafios logísticos significativos.

Órgãos de controle ressaltam que o objetivo da tecnologia não é substituir investigações formais, mas reduzir riscos e direcionar esforços para contratos com maior probabilidade de inconsistência.