
O crime foi encomendado por vizinha e executado por grupo recrutado por seu sobrinho, que teria usado dívidas para cooptar os envolvidos
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), apresentou em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (05/03), o resultado da Operação Universitates que prendeu quatro envolvidos na morte do professor universitário Davi Said Aidar, de 62 anos, ocorrida na noite de 6 de fevereiro de 2026, em um bar localizado no ramal Água Branca, na Rodovia Estadual AM-010.
Os presos foram identificados como Antônio Carlos Pinheiro Meireles, de 41 anos, conhecido como “TK”, Emerson Sevalho de Souza, de 26 anos; Lucas Santos de Freitas, de 31 anos, conhecido pelos apelidos “Lucão” e “Magrão”, apontado como mentor intelectual do crime; e Rafael Fernando de Paula Bahia, de 28 anos.
A mandante do crime seria a vizinha da vítima, identificada como Juliana da Rocha Pacheco, que está foragida.
O delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS, destacou que se trata de um crime que causou grande repercussão em Manaus, principalmente pela extrema violência empregada e pelo fato de a vítima ser uma pessoa muito respeitada no meio acadêmico, um trabalhador e alguém muito querido por alunos, colegas e familiares.
“Aproveitamos para manifestar nossa solidariedade a todos que conviveram com o professor Davi Said. Desde o primeiro momento, nossas equipes se empenharam para esclarecer o caso com a maior rapidez possível e, em menos de um mês, conseguimos identificar todos os envolvidos. Até o momento, quatro pessoas foram presas e uma permanece foragida, justamente a apontada como mandante do crime”, disse o delegado.
Dinâmica do crime
O crime ocorreu no dia 6 de fevereiro, no ramal Água Branca, na Rodovia Estadual AM-010, onde a vítima residia e mantinha um bar. Na ocasião, três indivíduos chegaram ao local em uma motocicleta. Dois deles desceram do veículo e um estava armado, conforme explicou o delegado Adanor Porto, adjunto da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
“O Antonio Carlos foi identificado como o autor dos disparos. Ele efetuou 14 disparos de arma de fogo em direção ao professor Davi Said, sendo que sete desses tiros atingiram a vítima, que acabou não resistindo aos ferimentos”, disse o delegado.
A partir do trabalho investigativo, inicialmente foi possível identificar o condutor da motocicleta utilizada na ação criminosa. A partir dessa identificação, a polícia conseguiu avançar nas diligências e chegar aos demais envolvidos no crime.
“O Lucas, que é sobrinho da mandante, foi o responsável por organizar toda a ação, reunir os demais participantes e estruturar a execução do homicídio. Lucas conheceu o executor do crime, Antônio Carlos, quando ambos trabalhavam juntos em uma empresa. Um ponto em comum entre todos os envolvidos é que todos possuíam dívidas com Lucas, que atuava como agiota, emprestando dinheiro”, explicou o delegado.
Segundo o delegado, aproveitando-se dessa situação, Lucas chamou Antônio Carlos para executar o crime, uma vez que ele devia cerca de R$ 150 a ele. Foi prometido que haveria pagamento pela execução do homicídio, mas, pelo que foi apurado até o momento, nenhum valor chegou a ser efetivamente repassado ao executor.
“O condutor da motocicleta, Rafael Fernando, também possuía uma dívida com Lucas no valor de aproximadamente R$ 10 mil, referente a uma colisão envolvendo um carro que Lucas havia emprestado a ele. Para ajudar a abater essa dívida, Lucas ofereceu a quantia de R$ 1 mil para que Rafael participasse da ação criminosa conduzindo a motocicleta no dia do crime”, disse o delegado.
De acordo com o delegado, outro participante foi Emerson, que também devia cerca de R$ 200 a Lucas. Foi oferecido a ele o valor de R$ 100 para colaborar na execução do crime, abatendo parte dessa dívida. No entanto, conforme as investigações, ele teria recebido apenas R$ 50. Emerson foi responsável por prestar apoio logístico durante a ação.
A mandante do crime é Juliana Pacheco, vizinha do professor e moradora do mesmo ramal. A motivação está relacionada a uma antiga rixa entre os dois, caracterizando uma disputa entre vizinhos.
De acordo com o delegado, Juliana tinha um bar na região, onde comercializava bebidas alcoólicas. Após a chegada do professor ao local e o início de atividades semelhantes por parte dele, Juliana teria passado a perceber uma queda no movimento e no faturamento de seu estabelecimento.
“A partir daí, teria se iniciado uma série de desentendimentos entre eles, inclusive com registros de ameaças feitas por Juliana contra a vítima. Em determinado momento, Juliana procurou o sobrinho, Lucas, e determinou que ele matasse o professor. Em depoimento, Lucas relatou que chegou a questionar se seria apenas para dar um susto, mas Juliana foi enfática ao afirmar que queria a morte da vítima”, relatou o delegado”, contou o delegado.
Conforme o delegado, três dias antes do crime Lucas foi até o ramal acompanhado do executor, Antônio Carlos, em seu veículo, para identificar a residência da vítima, observar a rotina e definir o melhor momento para executar o homicídio.
“No dia da execução, Lucas voltou ao local acompanhado de Rafael, que conduzia a motocicleta, e de Emerson. Em determinado momento, o carro de Lucas parou no meio do ramal, ocasião em que Juliana chegou em uma motocicleta e entregou uma bolsa a ele. Posteriormente, foi constatado que dentro da bolsa havia uma arma de fogo enrolada em uma camisa, utilizada na execução do professor”, citou o delegado.
Com relação aos antecedentes criminais, Lucas possui passagem anterior por roubo quando ainda era menor de idade. Rafael, que conduzia a motocicleta, não possui antecedentes criminais. Emerson também não possui registros anteriores.
Já Antônio Carlos, o “TK”, possui antecedentes por homicídio. Ele já havia sido condenado anteriormente por esse tipo de crime, tendo cumprido cerca de 16 anos de prisão. Estava em liberdade, trabalhando, quando acabou sendo novamente envolvido em um homicídio, desta vez como executor desse crime que vitimou o professor Davi Said.
Prisões
Lucas foi preso no dia 25 de fevereiro, em via pública no bairro Monte das Oliveiras, zona norte. Antonio Carlos foi preso na terça-feira (03/03), na rua Perimetral Norte, bairro Novo Aleixo, e possui passagens anteriores por homicídio.
Rafael Fernando também foi preso no dia 3, na rua Tanguá, bairro Colônia Terra Nova. Já Emerson foi preso na quarta-feira (04/03), na rua Santiago, também bairro Colônia Terra Nova.
Procedimentos
Os indivíduos responderão por homicídio qualificado e associação criminosa e ficarão à disposição da Justiça.
FOTOS: Divulgação/PC-AM







