Pais de Benício atualizam investigações sobre morte do filho e cobram responsabilização por erro médico

Bruno Freitas e Joyce Xavier, pais de Benício Xavier, de apenas 6 anos, divulgaram neste domingo (18) uma atualização sobre o andamento das investigações que apuram a morte da criança. Benício faleceu na madrugada do dia 23 de novembro de 2024, no Hospital Santa Júlia, após receber doses elevadas de adrenalina. A família sustenta que o óbito foi provocado por uma sucessão de erros médicos fatais.

Atualmente, o caso é conduzido pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e se desenvolve em três frentes distintas: criminal, ética e cível.

Segundo os pais, a Polícia Civil já concluiu a oitiva de todos os envolvidos. O próximo passo considerado decisivo é a entrega do laudo do Instituto Médico Legal (IML), que analisa tanto a documentação hospitalar quanto os resultados da autópsia realizada no corpo da criança.

Paralelamente, a perícia técnico-científica avalia os sistemas do hospital, com o objetivo de identificar possíveis falhas eletrônicas, inconsistências de registro ou problemas estruturais. Com a conclusão desses laudos, o delegado responsável deverá elaborar o relatório final do inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

“A gente espera que seja [denunciado como homicídio] doloso, por tudo o que aconteceu com o Benício”, afirmou o pai durante o pronunciamento divulgado nas redes sociais.

Na esfera ética, a conduta dos profissionais envolvidos está sendo analisada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), que instaurou uma sindicância de ofício. A família também formalizou uma denúncia própria. O conselho aguarda agora as manifestações dos profissionais citados para que um relator apresente o caso ao plenário.

Já no Conselho Regional de Enfermagem (COREN), os pais informaram que mantêm contato por e-mail para assegurar o direito de expor a denúncia durante o julgamento ético dos enfermeiros e técnicos de enfermagem envolvidos no atendimento.

No campo cível, Bruno e Joyce confirmaram que pretendem acionar a Justiça assim que todas as provas forem reunidas. A ação buscará a responsabilização de todos os envolvidos — médicos, técnicos, enfermeiros e a própria unidade hospitalar.

Durante o pronunciamento, a família reforçou que a mobilização não tem como motivação o ódio, mas a prevenção de novas tragédias.

“Mais uma vez a gente quer frisar que a gente não busca vingança, apenas justiça. A gente precisa fazer isso pelo Benício e também para que nenhuma família passe pela dor que a gente está passando”, declararam.

Os pais encerraram a mensagem agradecendo a rede de apoio e as orações recebidas de amigos e até de pessoas desconhecidas, sensibilizadas com o caso.

Relembre o caso

Benício Xavier morreu na madrugada de 23 de novembro de 2024, após receber doses de adrenalina por via intravenosa. A família afirma que a morte foi consequência de uma sequência de erros médicos.

Recentemente, a Justiça do Amazonas anulou o habeas corpus concedido à médica Juliana Brasil Santos, investigada no caso, determinando que o pedido de liberdade fosse analisado por um juiz de primeira instância.

Juliana admitiu o erro na prescrição da adrenalina intravenosa em documentos e mensagens trocadas com outro profissional. A defesa, no entanto, alega que a confissão ocorreu “no calor do momento”. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação da medicação, também é investigada.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, o inquérito segue quatro linhas principais de investigação: a responsabilidade da médica, da técnica de enfermagem, possíveis falhas estruturais do hospital e a apuração de eventual erro durante o procedimento de intubação.