Manaus Justiça condena preso por mortes brutais e canibalismo em rebelião no Vidal...

Justiça condena preso por mortes brutais e canibalismo em rebelião no Vidal Pessoa

MANAUS (AM) – Envolvido em um dos episódios mais brutais da história do sistema penitenciário do Amazonas, João Pedro de Oliveira Rosa, conhecido como “Paulista”, foi condenado a 168 anos de prisão por crimes cometidos durante a rebelião que ocorreu em janeiro de 2017, na extinta Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus.

A sentença foi proferida no Fórum Ministro Henoch Reis, após o reconhecimento da participação direta de João Pedro na morte de quatro detentos e na tentativa de assassinato de outros seis. Um dos pontos mais chocantes do processo foi o relato confirmado de que o réu arrancou e ingeriu o coração de duas das vítimas, um ato que causou indignação nacional na época do massacre.

A rebelião no Vidal Pessoa aconteceu dias depois do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde mais de 50 detentos foram assassinados em uma disputa entre facções. O motim na unidade do Centro se tornou um desdobramento sangrento daquele conflito, com cenas de barbárie registradas e amplamente divulgadas à época.

As vítimas fatais foram identificadas como Tássio Caster de Souza, Rildo Silva do Nascimento, Fernandes Gomes da Silva e Rubiron Cardoso de Carvalho. Outros seis detentos também foram atacados com brutalidade, mas sobreviveram, entre eles Márcio Pessoa da Silva e Anderson Gustavo Ferreira da Silva.

Apesar da alegação da defesa de que João Pedro teria sido falsamente acusado por outros presos, a promotoria apresentou provas contundentes, incluindo imagens, laudos periciais e depoimentos de testemunhas, que confirmaram a atuação do réu nos atos de extrema violência.

Além dos homicídios e tentativas de assassinato, “Paulista” também foi sentenciado pelos crimes de vilipêndio de cadáver e participação em motim, o que resultou na ampliação de sua pena em mais seis anos e quatro meses. A juíza responsável determinou que o cumprimento da pena seja em regime fechado e com execução imediata.

João Pedro já estava cumprindo 24 anos de reclusão por outros delitos e, com a nova condenação, acumula penas que, de acordo com projeções legais, o manterão preso pelo resto da vida. A defesa informou que irá recorrer da decisão.

Foto: Divulgação